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Texto
No quadro "O Grito", Edvard Munch traduz em cores e formas a angústia de uma figura isolada diante do mundo, imagem que ecoa a experiência de milhões de brasileiros que sofrem em silêncio por transtornos mentais. No Brasil, o cuidado com a saúde mental ainda é tratado como pauta secundária, marginalizada por tabus sociais e pela fragilidade das políticas públicas. Esse cenário exige enfrentamento urgente, sob pena de perpetuar sofrimento evitável.
Em primeiro lugar, o estigma social funciona como uma barreira que silencia quem precisa de ajuda. Expressões como "isso é frescura" ou "falta força de vontade" revelam um imaginário coletivo que associa transtornos mentais a fraqueza de caráter, não a condições de saúde legítimas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil está entre os países com maior prevalência de ansiedade do mundo, e, ainda assim, buscar terapia ou psiquiatra segue sendo, para muitos, motivo de vergonha antes de ser motivo de cuidado.
Em segundo lugar, a insuficiência de políticas públicas agrava o problema. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), criados para oferecer suporte gratuito e territorial, sofrem com subfinanciamento crônico e distribuição desigual pelo país, deixando municípios inteiros sem cobertura. Some-se a isso a escassez de psicólogos e psiquiatras na rede pública, e o resultado é um sistema que, no papel, existe, mas na prática não alcança quem mais precisa.
Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, amplie o financiamento e a rede de CAPS, garantindo cobertura territorial mínima em todo o país. Paralelamente, o Ministério da Educação deve incluir educação socioemocional na grade curricular da educação básica, formando desde cedo uma cultura de acolhimento e desestigmatização. Somente unindo estrutura pública e mudança cultural o Brasil poderá tratar a saúde mental com a seriedade que ela exige.
Nota por competência
Domínio da norma culta
180/200Poucos desvios pontuais de pontuação; estrutura sintática variada e sem erros graves de concordância ou regência.
Compreensão do tema
200/200Aborda diretamente o enfrentamento da invisibilidade do cuidado com saúde mental, sem fugir ao tema nem tangenciá-lo.
Seleção e organização de argumentos
180/200Dois argumentos bem desenvolvidos (estigma social e insuficiência de políticas), com dados de apoio (OMS, CAPS) que sustentam a tese.
Conhecimento dos mecanismos linguísticos
180/200Uso consistente de conectivos ("em primeiro lugar", "some-se a isso", "portanto") que amarram os parágrafos com coesão clara.
Proposta de intervenção
200/200Proposta completa: agente (Ministério da Saúde/Educação), ação (financiamento de CAPS, educação socioemocional), meio e finalidade, respeitando os direitos humanos.
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